• Pamella Amorim Liz

As delícias do início da mudança de país


Vamos lá! Então a decisão de mudar de país foi feita e você tá a mil nos preparativos e burocracias, já pensando no que precisa vender, pra quem pedir ajuda com dicas, vendo cada detalhe para não deixar nada pra trás. É uma fase estressante e ao mesmo tempo emocionante, não é? Se você já visitou a cidade em questão, então já existe uma imagem pré-determinada na sua cabeça de como são as coisas, as ruas, como tudo funciona, mesmo que por alto. Mas e se você nunca foi na cidade? Você entra no Google o tempo todo e fuça em sites sobre o lugar que você vai se mudar, quer descobrir qual o supermercado local, se tem essa ou aquela marca, quais lojas tem por lá, como é o comércio, qual o melhor bairro e transporte. Você está acostumado a um padrão de vida, com certas coisas, objetos, itens indispensáveis que, céus! E se eu não tiver isso na nova cidade?

Vou dar um exemplo pessoal: eu tomava anticoncepcional desde os 17 anos e, às vésperas da minha mudança, decidi colocar um DIU por medo de não conseguir o mesmo remédio, ou meu corpo reagir a uma troca de laboratório, ou mesmo se eu demorasse pra conseguir um médico - e saber como lidar com ele. Vale dizer que como experiência extra de itens indispensáveis na minha vida, eu trouxe um jogo de panelas e faqueiro pra cá, porque vai que as marcas daqui não são boas, não é mesmo? Tramontina pelo menos eu já conhecia!

Mas pronto, a maior parte da burocracia finalmente acabou, você já se despediu de todo mundo, entrou no avião e veio pra essa nova experiência. Achou seu apartamento e agora começa a parte divertida (pelo menos para alguns): IKEA! Se uma das primeiras coisas que você quis fazer foi visitar o paraíso das compras pra casa ao invés de turistar, então você é dos meus! Eu fiquei super feliz com a possibilidade de mobiliar a casa toda (ou parte dela) nessa loja. Que lugar maravilhoso, que preços incríveis, quanta opção de tudo. Ah, mas ninguém separa e monta nada pra você não, aqui não tem mordomia. Mesma coisa ter faxineira, que no Brasil é super comum. Aqui você se vira e faz tudo.

E gente, já falei do mercado? Você consegue comprar cogumelos frescos por centavos, frutas e verduras orgânicas por um valor não tão maior que as normais. Dá pra se alimentar muito bem por um preço baixo. Os produtos que são marca própria do mercado, por exemplo, além de baratos, são de ótima qualidade - diferente dos vendidos nos supermercados no Brasil. Ah sim, tem leite condensado!

Claro, tem a questão da língua que é algo a parte. Realmente não dá de entender. Quando você acha que conseguiu ler o nome de uma estação, o moço do tram fala algo completamente diferente. Mas tudo bem, é prestar bem atenção no caminho, pontos de referência e no Google Maps que tudo dá certo! E assim, nesse início, falar holandês nem é prioridade, você precisa praticar e estudar um pouco mais do Inglês pra tentar um trabalho mais na frente, e afinal de contas, todo mundo fala Inglês. Mas você sabe que cedo ou tarde vai ter que falar algo além de Dag! e Dank u wel!, mas não agora. Agora você está feliz, quase que de férias, descobrindo cada cantinho da sua nova cidade, transformando o apartamento novo em lar, batendo cabeça pra comprar comida em holandês e entender a lógica da arrumação do mercado (sim, leite condensado fica em comida exótica), amando achar preços ótimos e lojas escondidas em portinhas, passear pelos canais, pelos parques, tirar fotos e visitar os museus.

Eu sei que tem um perrengue ou outro nessa chegada, nesse início, mas quando você se dá conta dos pontos positivos da sua nova cidade, a parte não tão boa é deixada de lado. Você começa a perceber como o transporte na cidade é eficiente e como é rápido ir de um lado ao outro do país de carro ou trem. Descobre que pode não ter muita praia, mas tem tanto parque lindo, com grama a vontade pra deitar e relaxar no fim do dia ou fazer um piquenique no fim de semana, que a areia nem faz falta. E as flores? Cada época com uma diferente enchendo os canteiros da cidade. É a liberdade de ir e vir sem medo, de andar pelas ruas com tranquilidade e dar as mãos pra quem quiser. E quando vem o pôr-do-sol, entendemos porque os artistas pintavam quadros tão deslumbrantes aqui nesses Países Baixos.

Pamella Amorim Liz

Escritora, mestre em história e cozinheira. Mora em Amsterdam há quase 3 anos e adora a vida entre tamancos, chuva e tulipas.

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