• Pamella Amorim Liz

Rotina: Vida de dona de casa


O despertador toca, você aciona o soneca. Quando se dá conta, o celular já tocou mais três vezes e ainda não saiu da cama. Você vira, pega o celular, olha as mensagens no Whatsapp, vê as postagens no Instagram, verifica seus e-mails e, então, mais de uma hora já se passou. Levanta, olha pra rua e vê aquele dia que talvez só Amsterdam possa te proporcionar: vento, sol e chuva ao mesmo tempo. Como não querer sair de casa?!

A menos que tenha algum compromisso, o café da manhã é preguiçoso mesmo, talvez sentada no sofá assistindo um episódio de Friends, ou quem sabe na mesa lendo as notícias no Twitter (muita tecnologia, gente). Eis que a rotina da casa começa sem que você nem perceba: Você começa juntando aquele copo que está no braço do sofá, mas vê que tem uma poeira em cima do móvel da sala. Então pára pra pegar um pano e limpar. Daí vê que esqueceu de recolher a roupa que está na lavação quando vai buscar o pano. Por isso deixa o pano e recolhe a roupa. Depois de recolher a roupa e levar para o quarto para dobrar, se dá conta que não arrumou a cama. Então arruma a cama primeiro e quando vê isso vira uma bola de neve e o dia passou e você sente que fez tudo e não fez nada, porque passou em função de fazer várias mini coisas da casa. Mas está tão, mas tão exausta que não sabe nem explicar. Alguém nota? Não. Só você percebe de verdade o trabalho que fez, aquele cantinho minúsculo que limpou até ficar como queria. Mas ao final, o resultado é invisível.

Eu não sei você, mas essa mudança de país fez com que eu me colocasse no lugar e tivesse mais empatia pelas muitas mulheres que já conheci. Mães, tias e avós que sempre foram as donas da casa e nunca pararam um dia sequer, porém nunca ninguém reconheceu o esforço feito por elas para manter tudo em ordem, em dia. Era o cuidar da casa, dos filhos, das compras, fazer um curso, encontrar com as amigas para conversar. Vejo muito da rotina delas em nossa dia-a-dia aqui, a diferença é que muitas de nós trabalhávamos antes da mudança.

Nós enquanto partners de pessoas que vieram à trabalho, acordamos com a temporariedade de não trabalharmos, nos dedicarmos aos estudos, filhos, casa ou de ter um ano sabático (cada uma com suas prioridades e arranjos). Sem termos mais nossa independência financeira, rotina de trabalho fora de casa ou o que nos faça ter que sair todos os dias de casa, às vezes fica difícil se sentir realmente motivada a fazer algo. Inicialmente o ambiente da casa se torna atrativo e uma boa maratona de séries parece melhor do que acordar cedo todos os dias para trabalhar. Quem sabe uma ida ao cinema vez ou outra no meio da tarde ou um passeio pela cidade também sejam bons, mas com o tempo, cansa. Você não quer mais ver seriado, não quer mais fazer o trabalho invisível, a cidade não tem mais tantas novidades assim para se descobrir e honestamente, é frustrante chegar ao fim do dia ou da semana e perceber que sua rotina foi basicamente em função da casa, de um curso ou dos filhos.

Você quer algo diferente, quer algo que te motive a levantar todos os dias, quer fazer a diferença de verdade. Você quer ter seu próprio dinheiro e recuperar sua independência. De forma alguma é errado apenas uma pessoa da casa trabalhar, afinal de contas um acordo foi feito e sabemos que o que fazemos é um grande trabalho - gerenciar uma casa não é fácil. Mas querer partir para algo diferente também não é errado, querer seguir uma carreira e saber que estamos contribuindo para as finanças ou para nós mesmas, traz um sentimento de sentir-se útil. E isso faz muito bem. Às vezes só precisamos de um estalo ou um empurrãozinho para percebemos certas necessidades e inércias em que vivemos. Mas ok, perceber o mundo ao redor e nós mesmos, nossas necessidades, não é tarefa simples e que se aprenda do dia para a noite. Seguimos em eterno aprendizado.

Pamella Amorim Liz

Escritora, mestre em história e cozinheira. Mora em Amsterdam há quase 3 anos e adora a vida entre tamancos, chuva e tulipas.

A busca do novo, da nova experiência é o que motiva você como expatriada a viver essa aventura. Mas quando o novo começa a ficar igual, e a sua motivação simplesmente vai reduzindo dia após dia. Você nem sabe em que exatamente quer investir a sua vida, se sente perdida. Quer fazer mudanças, mas não sabe nem por onde começar pode ser que seja a sua hora de pedir ajuda. Visite nosso Website e veja de que forma podemos ajudar você.

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